Terça-feira, 24 de Outubro de 2006

álvaro castro

dão 2005. álvaro castro. €7,50 n'os goliardos. por €10,50 abrem a garrafa e bebemos no local.

olhar: sendo conhecidas as minhas dificuldades com a compreensão dos vários tons do vinho, diria que este ronda o granada, mas posso estar redondamente enganado.

cheirar: é daqueles vinhos que apetece ficar a cheirar, atraídos pelos aromas silvestres, sobretudo de frutos pretos ou vermelhos mais fortes, como a cereja. é um aroma estruturado. não é apenas fruta aos saltos, como está na moda. tem o interesse que só alguma complexidade pode dar. mais do que normalmente encontramos em vinhos deste preço.

provar: ao beber, o que se nota logo é a frescura, a acidez, sobretudo quem está habituado a beber alentejanos, mais maduros e carregados, ou seja, a maior parte das pessoas. por trás dessa frescura e da fruta que já encontrámos no cheiro, estão outros sabores, menos vulgares. julgo que alguma especiaria, mas, infelizmente, não cheguei a qual.

sentir: este vinho acabou por ser o centro de um belo final de tarde. tomado no local, ponto de encontro de amigos, serviu para acabar a tarde a conversar sobre o início de um sonho chamado os goliardos e para nos divertirmos a observar a interacção da clara, a nossa sobrinha, espanhola, com pouco mais de um ano, com o fede, argentino e com mais 3 meses que ela. o fede, involuntariamente, mostrou-nos como pequenas coisas, podem significar grandes saltos para quem as vive. o simples facto de ele, recentemente, ter percebido onde está o seu centro de gravidade, permitiu-lhe ganhar uma tremenda autonomia e aumentar de tal forma as fronteiras do seu ainda pequeno mundo, que correr pelos corredores como uma bala se tornou o suficiente para lhe deixar permanentemente estampado na cara o sorriso triunfante da descoberta! este vinho, para mim, ficará indelevelmente associado ao sorriso do fede e ao olhar curioso da clara, que, de pé mas agarrada ao carro, parecia cada vez mais tentada a soltar-se e segui-lo.

som: anjo da guarda - entre aspas
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vivido por jtf às 14:23
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4 comentários:
De anónimo a 27 de Outubro de 2006 às 01:30
jtfzito!

deixa os factos de lado e dedica-te a escrever mais parágrafos como este último!

Mrs. D (aka k.)
De jtf a 27 de Outubro de 2006 às 10:32
Faz tudo parte da metodologia! Primeiro tudo isso a que chamas factos e a que a maior parte das pessoas chama, com olhar desconfiado, tretas: olhar, cheirar, provar. Depois o espaço para aquilo que o vinho realmente é para mim: o acompanhante silencioso de tertúlias, partilhas, confissões, sentimentos. Beijo!
De A. a 25 de Outubro de 2006 às 16:08
eu que não percebo nada de vinhos, na dúvida compro sempre o Piriquita, mas já sei a quem devo ligar quando estiver a comprar uma garrafita para consumo da (minha) casa ou para oferta : )
De jtf a 27 de Outubro de 2006 às 10:33
um seu servidor! beijo!

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